Paguem masé!

Já que todos queremos ser muito fit e trabalhamos para isso nas corridas e ginásios desta vida… proponho um exercício. Um bem puxado. Olhem para a vossa folha de ordenado. Olhem para as vossas facturas de compras. Seja do que for. Olhem para as contas que pagam. Olhem para o preço final do gasóleo que colocam. Olhem para aquilo que realmente vos sobra no final do mês.

Mesmo os que não são tão bons a matemática percebem bem o que aconteceu. Pura e simplesmente o dinheiro foi-se embora. O escasso dinheiro foi embora. Restam uns doze euros na carteira, talvez. A verdade é que o mês passou e realmente pouco ficou. E para onde foi esse dinheiro. Lá está, para as necessidades do dia, das semanas, do mês.

Mas mais do que isso. Esse dinheiro foi para taxas. Esse dinheiro foi para impostos. Esse dinheiro foi para o tal Estado com o qual vivemos todos os dias. E que tanto gosta do nosso dinheirinho, oba! Ama, venera e pede sempre mais uns trocos para se continuar a sustentar.

Ou melhor. Lá nos vão dizendo que temos de pagar impostos porque somos um Estado Social. Um Estado que apoia. Um Estado que ajuda nos momentos mais difíceis. Um Estado que nos dá garantias para viver uma vida mais descansada, mais tranquila, com menos preocupações. Tudo errado. Tudo demasiado errado. A certeza é de que pagamos impostos sem perceber o porquê. E não esquecer aqueles impostos que nos aparecem em casa e que obrigatoriamente temos de liquidar. Os Impostos Municipais sobre Imóveis e os Impostos Únicos de Circulação desta vida. Acrescenta na lista de verificações.

Em troca recebemos um valente nada. Um redondo zero. Do dinheiro que nos tiram nos ordenados, nas contas do supermercado, nas contas de todos os meses que nos chegam ao correio. Parece um roubo descarado. Arrisco-me a dizer que é um roubo descarado. Não tem outra explicação. Num país de tanto imposto. De tanta taxa. De tanta forma de sacar dinheiro nada existe e tudo se paga.

A saúde, a tal saúde, paga-se sempre que se recorre a ela. A autoestrada para chegar ao trabalho paga-se. O comboio para chegar à escola paga-se. Os livros para estudar pagam-se. A faculdade paga-se. O metro para chegar mais depressa paga-se. O cartão de cidadão, para nos identificarmos como seres do Estado, paga-se. Um impresso dos serviços públicos paga-se. Uma junta médica paga-se. Um tratamento paga-se. Tudo o que seja do Estado e para o qual pagamos impostos tem de se pagar. E ponto final e não há cá discussão possível que na vida não há tempo para essas coisas.

Mesmo que tenhamos estradas miseráveis, serviços públicos miseráveis, um Estado que nos rouba todos os dias, o caminho é seguir em frente e pouco barulho. Não se questiona. As pessoas estão cansadas. Não querem saber. Não querem perceber. Ou então já perceberam tudo e querem pura e simplesmente esquecer.

Pagamos tanto e tanto para depois voltar a pagar. Que bonito. Quem nos deveria defender é o primeiro a roubar. E o primeiro a fugir quando precisamos dele. Até mesmo na hora de ajudar. Tem de ser o cidadão comum a dar o primeiro passo.

O Estado está demasiado ocupado a engordar e a contar as notas que lhe vão chegando todos os dias. Este país não merece o Estado que tem. Que o destruiu. Que o deixou morrer. Porque quer sempre mais e mais e mais e mais.

Para onde vai ninguém sabe. Talvez se perca. Talvez esteja nos bolsos de alguém. Certo é que amanhã é um novo dia e a rotina começa toda outra vez. Trabalhar e viver para uma entidade que não nos oferece absolutamente nada. Nem uma palmadinha nas costas.

Se isto não é violência não sei mais o que é. É pagar, calar, e sorrir que a vida é curta e um gajo nunca sabe.

Mesmo que vivamos uma vida inteira a maior das filhas da putice que podemos viver. Caramba, pá. Não era pedir muito pagar impostos e taxas e ver alguma coisa de jeito com esse dinheiro. Mas secalhar é pedir em excesso. Se lixe. Com o pouco que tenho vou ver se ainda dá para beber café.


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