Jornalismo - Evolução em roda livre

Ensaios para um ensaio sobre jornalismo | A evolução tecnológica em passo acelerado

 

Dizer que ainda sou do tempo em que a internet tinha pouca relevância no dia a dia do jornalista, pode, de repente, criar-me uma imagem de avô que ainda estou longe de atingir. Mas, a verdade, é que em 20 anos a evolução foi de tal ordem que, quando penso nos primeiros passos no jornalismo, parecem memórias de um qualquer livro ou filme de outros tempos.

E nem vou recuar às bobines, ao corta e cola, às cassetes, com que ainda tive contato numa rádio local.

Mas, lembro-me da expetativa que se criava na redação sempre que o telefax dava sinal. Mais tarde, o software que descarregava os faxes para o (lenttttoooo) computador. Uma espécie de email que chegava pelo telefone. Wow!

Depois, sim, o email que tardou em ganhar espaço. A velocidade da internet também não ajudava…

Entrevistas por telefone, só para números fixos, desde que se conseguisse apanhar o destinatário. Os telemóveis já circulavam, mas os custos não convidavam a grandes conversas.

E o entusiasmo que foi receber o primeiro Minidisc? Afinal, já podia editar uma entrevista sentado numa esplanada, sem ter que ir ao estúdio para deixar um som que agora podia enviar por telefone.

Na televisão, não era muito diferente. A edição de reportagens em Betacam ou HI8 não era para leigos. A transição para o digital facilitou, e de que maneira, a vida a repórteres de imagem e editores.

Hoje, chegamos à Redação, sentamo-nos ao computador e rapidamente ficamos a par do que se passa no mundo. Distribui-se o trabalho por email, num grupo das redes sociais ou de WhatsApp.

Em tempos, parte da minha rotina matinal incluía passar numas bombas de gasolina para comprar jornais que folheava de fio a pavio, para estar a par da atualidade, mas sobretudo à procura de assuntos que pudessem dar reportagem. Fotocopiavam-se ou recortavam-se jornais para distribuir trabalho pelos vários jornalistas. Depois, havia também aquilo que faz a diferença nesta área: as fontes e contatos de cada um. Não raras vezes, eram o início de boas histórias.

Se muitas coisas mudaram para melhor, há aspetos que saem claramente o perder. Fruto do esvaziamento das redações, mas não só, hoje faz-se o trabalho pelo telefone ou com base em textos de assessorias de imprensa ou da agência Lusa. Não há contato pessoal com as fontes, com os protagonistas das notícias que se dão, não há o contexto do lugar, que muitas vezes ajuda a explicar histórias.

Recordo várias situações em que, uma vez no local, a ideia que tinha para pegar no assunto se alterou completamente. Além de que, em cada saída, há sempre possibilidade de trazer novas histórias. 

Mais valias que se perdem. O que não deixa de ser um contrassenso, pois numa altura em que há todas as condições para se fazer jornalismo em qualquer lugar (basta um smartphone!), é quando mais se faz à distância, sem sair de ‘casa’.


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