“Saudinha da boa!”

Deve ser uma das expressões que mais uso, que mais me habituei a dizer quando me despeço de alguém, como quem diz um sincero “até breve e tudo de bom!”. Não faço ideia desde quando, mas sei o porquê. Lembro de ouvir o meu pai usá-la (mas sem o “inha” porque ele detesta diminutivos...) e até de, em miúda, me causar alguma estranheza e “comichão” que desapareceram à elucidação pronta do meu progenitor.

- “Saúde da boa?!” Ó pai, mas porque carga de água havias de desejar saúde da má?... Ou dizes isso simplesmente para rematar uma conversa e ser uma espécie de “xauzinho e até um dia!”?

- Oh filha, é uma maneira de falar. Dá-me jeito, é certo, mas realmente desejo que as pessoas tenham saúde. Da boa. Por ser mesmo um desejo de verdade. É o melhor que lhes posso desejar, entendes? Já é meio caminho andado para se fazerem à estrada e serem felizes... – explicou-me ele, na sua infinita sabedoria, sem pretensiosismos, nem alegóricas intelectualidades.

E eu sigo esse exemplo que me faz todo o sentido e, inexplicavelmente, faz sentir-me bem. Acrescento-lhe o “inha” (desculpa, paizinho. Paizinho não, já sei. Pai.) E sai-me naturalmente, sem qualquer desdém ou para reduzir o nível de saúde desejada. (Sim, porque na boca de algumas pessoas a mesma expressão soa a pejorativo e ironia...)

Mas, vendo bem, é um cumprimento ou um voto bem nobre e altruísta. Podia desejar também um simpático “espero que tenha um castelo” ou “que ganhe o euromilhões” ou “que seja sempre bonito!” (gosto particularmente deste último, mas nem sempre posso dizê-lo porque o meu pai me ensinou a não mentir e levo isso muito a sério). Só que um “Saudinha da boa!” Ahhh... Tem outro sabor! Com saúde pode até conseguir dois castelos (e parecer mesmo mais bonito...).

O meu pai é que sabe!! Sem saber...

Saudinha da boa! ;)

 


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